porque a vida é assim, você tem que se atirar entendeu? Não dá para ficar achando que as coisas vão aparecer do dia para a noite na sua frente que vai chover na sua mão o que você pensar em querer pois numa boa, tem até momentos em que você consome o mundo mas você não tem essa disposição toda, você tem que ser consumido também não é? Portanto, minha nega, vá à luta.
eu já não acho. discordo. não não.
você está se confundindo um pouco. não foi isso que eu disse minha querida.
imagina se eu iria dizer a você, nesta altura do campeonato, que tudo que você fez até agora foi uma bosta de erros. imagina. eu nem acho isso. não tezria porque eu dizer a você que você não presta, o que é isso, eu te acho super luz. é isso, você é luz.
veja bem minha nega veja bem eu só disse a verdade. eu disse o que a vida é para todo mundo. a vida é difícil para todo mundo, não dá para ficar se culpando de tudo o que você faz, a gente precisa comer, beber e, de acordo do lugar histórico em que a gente nasce, a gente quer consumir determinadas coisas. o consumo sempre existiu, entendeu? Só muda apenas o que se consome. e no nosso caso, a gente consome e é consumido, entendeu?
entendeu agora?
ai que bom já estava ficando com raiva da sua lerdeza. (risos)
13.10.07
tan tan tuntun tannan
saber ao certo para onde olhar. é isso que me cobro. é isso que eu tenho que ter. uma certa previsão do que será para ficar em paz hoje. a minha calma no presente depende da minha visão futuro. e algo tem que dar certo. eu espero pelo menos ter escolhido alguma coisa certa. pois eu escolhi várias. eu nunca consigo ter apenas uma opção.
ou será que o mundo é tão cruel? ou será que meu destino será o de ser aquele pobre menino que prometia uma novidade em tudo mas frustou, morreu na praia, não deu certo, o bolo solou, pouco fermente deram para o menino, o menino estragou, coitado, o menino estragou.
será isso.
será que eu vejo além ou sou cego? Mas é preciso ser cego para ver além não é isso que me recordo dos videntes? Será isso, meu deus, que eu recordo dos videntes? A cegueira do presente e a visão do futuro.
mas eu afirmo: eu tenho miopia, minha vista não funciona plenamente, ela tem graus a menos, preciso de um par de óculos para ver tudo. e eu não gosto de óculos. Isso talvez indique a minha sabotagem, eu não enxergo bem nas duas direções, mas vejo algo nelas.
O problema é embaçar. O problema é confundir tudo.
O problema é misturar as narrativas. Tendo uma não muito certa. O problema é pensar uma realidade que na realidade são duas realidades.
como sair disso, meu deus?
coloque uma música.
que o seu ritmo pendule.
acalme-se.
ouça.
ouça a voz do mestre.
que canta e sempre dedica a um outro extraordinário músico.
que encanta
interjeite-se. interjeite-se. interjeite-se. interjeite-se.
um orgasmo de interjeições suas.
exclame exclame exclame exclame.
um mar de exclamações seu.
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
nada como uma boa sede e um bom copo fundo com um restinho inalcançá.............vel de líquido.
ou será que o mundo é tão cruel? ou será que meu destino será o de ser aquele pobre menino que prometia uma novidade em tudo mas frustou, morreu na praia, não deu certo, o bolo solou, pouco fermente deram para o menino, o menino estragou, coitado, o menino estragou.
será isso.
será que eu vejo além ou sou cego? Mas é preciso ser cego para ver além não é isso que me recordo dos videntes? Será isso, meu deus, que eu recordo dos videntes? A cegueira do presente e a visão do futuro.
mas eu afirmo: eu tenho miopia, minha vista não funciona plenamente, ela tem graus a menos, preciso de um par de óculos para ver tudo. e eu não gosto de óculos. Isso talvez indique a minha sabotagem, eu não enxergo bem nas duas direções, mas vejo algo nelas.
O problema é embaçar. O problema é confundir tudo.
O problema é misturar as narrativas. Tendo uma não muito certa. O problema é pensar uma realidade que na realidade são duas realidades.
como sair disso, meu deus?
coloque uma música.
que o seu ritmo pendule.
acalme-se.
ouça.
ouça a voz do mestre.
que canta e sempre dedica a um outro extraordinário músico.
que encanta
interjeite-se. interjeite-se. interjeite-se. interjeite-se.
um orgasmo de interjeições suas.
exclame exclame exclame exclame.
um mar de exclamações seu.
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
d-e-n-t-u-ç-e-se
dentuçe-se
nada como uma boa sede e um bom copo fundo com um restinho inalcançá.............vel de líquido.
2.10.07
T - Erra
assistindo Terra, espetáculo de Zé Celso que abre a sua encenação partida em cinco sobre Os sertões de Euclides da Cunha, um aspecto que me chamou mais atenção foi o modo como se dá o confronto entre atores e público. No primeiro momento do espetáculo, quando há uma separação nítida entre estas duas esferas, entre o dentro e o fora, as grades fechadas que delimitam e fecham os acessos, essas mesmas grades que também possibilitam a comunicação entre o ator e o espectador, a um gesto de Zé Celso (ele chama o público com as mãos), os observadores aglutinam-se contra as grades, forçando o contato corporal com os integrantes do Oficina. No momento seguinte, as grades são abertas e aquilo que separava o dentro do fora, o público do palco, cede, criando uma passagem entre corpos. Os atores vão ao público que foi à eles. Eles se cruzam e indiferenciam-se. Logo após, aparece do outro lado da rua, do que um dia já foi considerado fora, uma fila, todos os atores parados frontalmente diante da pláteia novamente. Lentamente, eles dirigem-se ao espectadores corporalmente, avançam sobre eles que, por resposta imediata, re-avançam em todas as direções. Todos entram e tal passagem, ou atravessamento, constitui um diálogo intersubjetivo singular, puramente corpóreo. A relação entre indivíduos se dá pelo corpo-diante-do-corpo: público em frente ao público, atores diante de atores, público em frente a atores, numa conversa concreta, material, fruto do embate corporal. Há momentos corpóreos de decisão, quando se deve escolher entre deixar, ou não, o seu corpo perder o limite no corpo do outro.
O espetáculo é recheado de palavra. A palavra, como som, como canção em que o sentido textual se dilui completamente no aspecto vocal e material do corpo-voz. A cor é outra que mostra o seu corpo, o corpo da cor (título da última exposição londrina da obra de helio oiticica). E não é à toa que h.o. aparece agora. A fauna e a flora são representadas por homens que dançam vestidos de farrapos coloridos, cena que remete aos parangolés. Os imensos tecidos coloridos que se torcem, se cruzam, se abrem, se fecham, se esgarçam e se relaxam, fazem dançar a cor-toda-corpo.
A terra, o sertão, o deserto, o são francisco, a fauna, a flora, o fogo, a rua de canudos, todos são corpos humanos. Tudo provém e se dirige ao homem e seu corpo. O formato humano que tudo representa cria uma espécie de humanismo brasileiro, uma espécie de valorização da condição ambigua do homem-brasil: aquele que constrói é o mesmo que destrói. O homem mata e morre e o meio encontrado para tais operações é o próprio corpo deste mesmo homem. Essa gente transita, cruza, atravessa. A gênese e a destruição. A entrada e a saída de cena. Quando surgem a água, o cajado, o antonio, o homem, a terra, a república, tudo enfim. Tudo ao entrar em cena, nasce. E quando a cena é deixada, tudo morre. Tudo passa, tudo passará. Terra, quem jamais te esqueceria.
Ps.: Haveria ainda o que se falar: a ênfase no belo. Belos homens, belas mulheres, belas cenas cantadas num tom de desejo. Uma pergunta que se solta agora é: onde está o lugar do grotesco neste espetáculo, especificamente. Fica para depois.
O espetáculo é recheado de palavra. A palavra, como som, como canção em que o sentido textual se dilui completamente no aspecto vocal e material do corpo-voz. A cor é outra que mostra o seu corpo, o corpo da cor (título da última exposição londrina da obra de helio oiticica). E não é à toa que h.o. aparece agora. A fauna e a flora são representadas por homens que dançam vestidos de farrapos coloridos, cena que remete aos parangolés. Os imensos tecidos coloridos que se torcem, se cruzam, se abrem, se fecham, se esgarçam e se relaxam, fazem dançar a cor-toda-corpo.
A terra, o sertão, o deserto, o são francisco, a fauna, a flora, o fogo, a rua de canudos, todos são corpos humanos. Tudo provém e se dirige ao homem e seu corpo. O formato humano que tudo representa cria uma espécie de humanismo brasileiro, uma espécie de valorização da condição ambigua do homem-brasil: aquele que constrói é o mesmo que destrói. O homem mata e morre e o meio encontrado para tais operações é o próprio corpo deste mesmo homem. Essa gente transita, cruza, atravessa. A gênese e a destruição. A entrada e a saída de cena. Quando surgem a água, o cajado, o antonio, o homem, a terra, a república, tudo enfim. Tudo ao entrar em cena, nasce. E quando a cena é deixada, tudo morre. Tudo passa, tudo passará. Terra, quem jamais te esqueceria.
Ps.: Haveria ainda o que se falar: a ênfase no belo. Belos homens, belas mulheres, belas cenas cantadas num tom de desejo. Uma pergunta que se solta agora é: onde está o lugar do grotesco neste espetáculo, especificamente. Fica para depois.
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